Crítica | Armadilha
Em meio há tempos em que estamos carentes de filmes do gênero suspense e terror, eis que surge uma nova aposta entregue por um bom roteirista (Chris Sparling, o mesmo de Enterrado Vivo), e estrelado por um elenco razoável, que apesar de desconhecido, traz rostos interessantes que se propõem a encarar uma aventura bastante perigosa e que certamente já fora temida por muitos espectadores. Embora a intentação seja boa e possa render, existem alguns fatores que tornam esta produção um filme de puro entretenimento para os fãs do gênero e bem difícil de engolir para os demais.
Em ‘ATM’ (que em inglês é a sigla para caixa eletrônico), título original do traduzido ‘Armadilha’ (já não vimos esse nome antes?), um grupo de colegas de trabalho comemora a típica festa de Natal da empresa em que estão empregados e acabam tomando um rumo inesperado quando um deles pede-lhes para fazer uma parada de fim de noite em um caixa eletrônico. O que deveria ser uma transação de rotina, acaba se transformando em uma luta desesperada pela sobrevivência quando um homem desconhecido aparece do lado de fora e começa a deixá-los com medo. Com as temperaturas de inverno imersas abaixo de zero e com o nascer do sol a horas de distância, eles não têm escolha senão participar do jogo de gato e rato proposto pelo psicopata.
Naturalmente todos os clichês de filmes do gênero dão o ar de sua graça nesta produção. Aqui, o intuito de seus desenvolvedores não é deixar o público com medo, mas sim aflito com uma situação inusitada e ao mesmo tempo idiota na qualidade do intelecto de seus personagens, que em diversos momentos têm a chance de escaparem dali mas ainda assim não conseguem sair do lugar. Já o misterioso vilão sem rosto se sai bem. A tensão em torno de seu objetivo e de sua identidade é bem construída, porém, acaba não servindo pra nada.
Se não fosse pelo roteiro cheio de furos e situações absurdas, talvez o estreante David Brooks conseguisse tornar este longa mais interessante. E ainda que possa parecer conflitante, o filme não é descartável, mas nos faz questionar sobre como ele poderia ter sido diferente se tivesse sido repensado e feito de uma forma mais coerente. Ao contrário, o filme peca na limitação encontrada diante de uma trama ágil, que funciona como um bom suspense, mas que nem de imediato e muito menos após algumas horas pensando na trama é possível se chegar a alguma conclusão que possa justificar o que aparece na tela antes dos créditos finais.
Não se impressione se ao término da projeção ainda existir um sentimento de que poderia ter sido um ótimo filme. Certamente este não era o objetivo dos responsáveis pelo longa, mas obviamente é o que o público deverá sentir.
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Fabiana Teixeira




