segunda-feira, 4 de junho, 2012 - às 20:04 hrs.

Crítica | Branca de Neve e o Caçador







  

1x1.trans Crítica | Branca de Neve e o Caçador

Apesar de serem mais antigos do que o próprio cinema, os contos de fada continuam se reafirmando no ano de 2012. Após a estreia de algumas séries para a TV com versões mais sombrias de contos adaptados pelos Irmãos Grimm, eis que chega a vez da Branca de Neve ser mostrada através de um ângulo muito mais real, ainda que fantasioso. E a julgar pelos ótimos resultados alcançados nas bilheterias de todo o mundo, parece que ‘Branca de Neve e o Caçador’ realmente agradou ao público e esta já pode ser considerada uma das estreias mais lucrativas do ano.

Trazendo em seu elenco a queridinha dos adolescentes, Kristen Stewart (A Saga Crepúsculo) no papel principal, a veterana e sempre bela Charlize Theron na pele da Rainha Má, além de Chris Hemsworth (Thor/Os Vingadores) no papel do Caçador, já era de se esperar que o longa atrairia multidões à procura de um grande blockbuster que foi muito bem divulgado. Certamente, o resultado disto poderia ter sido um grande fiasco, como o aterrorizante Snow White: A Tale of Terror, filme de 1997 que foi muito criticado na época em que foi lançado por retratar de forma muito sombria o conto original. Mas felizmente, desta classificação o filme se safou. Trazendo um novo enfoque para esta adaptação, o longa não decepciona. Na trama, o Caçador que é enviado pela rainha Ravenna com a missão de buscar o coração de sua jovem enteada, que fugiu do castelo em que era mantida como prisioneira, assume um papel importante na história e acaba excluindo a infantilidade antes exaurida pela adaptação da Disney através dos sete anões, aqui, caracterizados como seres que não se definem por apelidos que vão ser lembrados por diversas gerações, assim como permanecem mantidos no imaginário infantil até os dias de hoje.

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Em contrapartida, o grande diferencial da produção é justamente criar uma personalidade encouraçada e guerreira para a sua protagonista, mostrando que aquela moça de aparência indefesa sabe muito bem como se defender de todos os perigos que a cercam. Esta se torna a aposta arriscada que acaba dando muito certo. Já a Rainha Má interpretada por Charlize Theron, acaba sendo um espetáculo à parte em cenas memoráveis e brilhantemente criadas por sua equipe de produção. Em determinado momento, é possível entrar no interior da personalidade cruel e invejosa da vilã e ao mesmo tempo temer a obsessão que a rainha possui para que sua beleza seja preservada por toda a eternidade. A mãe de Ravenna, personagem de Theron, vê sua filha tornar-se à força noiva de um rei e acaba transmitindo a ideia de que a única maneira de sobreviver ao poder de um homem é ser bela e jovem, e consequentemente a mais poderosa. Quando Ravenna começa a envelhecer, sofre porque seu poder está indo embora e isso a impede de ser considerada a mais bela de seu reino.

Também vale ressaltar que ao contrário de outras adaptações, o diretor estreante Rupert Sanders, prefere ignorar o romance entre o príncipe e a protagonista, tornando o personagem William (Sam Claflin), filho do duque Hammond e interesse amoroso de Branca de Neve, um mero coadjuvante. E ainda que de uma forma subjetiva, seu envolvimento com a protagonista acaba se revelando algo incerto. Tal relacionamento, acaba não se desenvolvendo na conclusão da trama e pode facilmente ser confundido, levando o espectador a se questionar a respeito do porquê o romance não tem força na história, algo que facilmente se nota desnecessário, visto que podemos interpretar a conclusão da história da forma que bem entendemos.

Os efeitos especiais, trilha-sonora e figurino são fortes elementos de auxílio para a duração do longa, que o tempo todo contempla o espectador com uma fotografia exuberante e que colabora para que o processo narrativo ganhe ainda mais força e não se torne demasiadamente extenso. Elementos de computação gráfica, excelente maquiagem e atuações competentes, fazem com que a produção se destaque muito mais do que o próprio roteiro, que poderia cair na obviedade, mas demonstra que é um mero coadjuvante diante de aspectos técnicos tão bem resolvidos.

Em ‘Branca de Neve e o Caçador’, não é preciso prever o que irá acontecer ao longo da projeção, afinal, sabemos que se trata de uma adaptação que perdura de geração em geração, sempre resistindo ao tempo. Aqui, somos levados a um cenário sombrio e marcante que deve agradar a grande maioria que espera o oposto do concorrente ‘Espelho, Espelho Meu’, também em cartaz. E ainda que possa deixar a desejar em alguns aspectos,  ‘Branca de Neve e o Caçador’ detém de personalidade e pode ser considerado um grande marco nas adaptações de contos infantis voltados para o espectador jovem-adulto, estes, que se encontravam desamparados em um momento onde o cinema vinha sofrendo com diversos fracassos de bilheteria e de público.




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