Crítica | O Espetacular Homem-Aranha
Logo que se iniciava, o ano de 2010 já adiantaria o que para muitos fãs da versão cinematográfica da história de Peter Parker, o Homem-Aranha dos quadrinhos, seria uma notícia um tanto quanto inusitada e chocante. Era anunciado que a quarta parte da até então trilogia de Sam Raimi, seria descartada pela Sony e daria espaço para o que hoje é chamado de reboot, algo diferente do remake e mais próximo de uma nova versão de algo que já foi adaptado recentemente. E como não poderia deixar de ser, tal ato causou fervor entre os fãs dos quadrinhos da Marvel, que tomaram a notícia como esperança de reverem na tela seu herói com características mais fiéis à sua origem. Mas será que transformar uma aventura dramática e que abordou de forma brilhante o despertar de um herói marcado pelo desejo de justiça e carregando traumas irreparáveis de seu passado, cairia bem nas mãos de outro diretor?
A resposta é não. ‘O Espetacular Homem-Aranha’ tem suas qualidades, é um bom filme, mas não enaltece a alma do herói, ainda que possa parecer mais realista que seu antecessor. Apenas o faz de forma frustrante e que deixa muito a desejar. É natural que se espere de um longa que já possui uma legião de fãs precoces, algo que realmente possa nos convencer de que o que estamos vendo não é apenas uma produção que constantemente precisa apelar para as cenas de ação numa tentativa de mascarar um propósito não convincente. Tal ato nos faz repensar o real motivo de estarmos assistindo a mais do mesmo quando na verdade o mesmo é muito menos do que o que poderia acrescentar a já conhecida história do ‘amigão da vizinhança’ – forma como o aracnídeo é reconhecido nas HQs.
Dirigido por Marc Webb, de ‘(500) Dias com Ela’, ‘O Espetacular Homem-Aranha’ recomeça a trilogia iniciada em 2002 e estrelada por Tobey McGuire. Encerrada por Sam Raimi há 5 anos, a série de filmes rendeu em torno de 2,5 bilhões de dólares em bilheterias. Mas para os estúdios, isso não era o bastante, fazendo com que o diretor perdesse parte de seu poder criativo e fizesse um terceiro filme regular e que não agradou à todos. Fato agoniante mediante ao incrível trabalho que havia desempenhado no filme anterior. O filme segue o adolescente Peter Parker enquanto ele desenvolve seus poderes na escola e tenta desvendar a verdade sobre seus pais. O rapaz é um jovem tímido e nerd que quer ganhar o coração de sua paixão da escola, Gwen Stacy. Peter descobre uma misteriosa maleta que o leva a um antigo colega de seu pai, o Dr. Curt Connors, dono de um maligno alter-ego, o tão esperado vilão Lagarto, ignorado anteriormente na terceira parte de ‘Homem-Aranha 3’ e que agora ganha vida em meio aos efeitos 3D proporcionados pelo longa.
Se existe algo que pode ser reconhecido de imediato nesta produção, é o bom uso da tecnologia 3D. Em meio a diversas cenas de ação, é possível deleitar-se com a criatividade com que o recurso é utilizado e ele até compensa o cansaço causado pela projeção, que tem mais de duas horas de duração. Uma pena que o mesmo não acontece com sua trilha-sonora, elaborada por James Horner e que logo que o filme acaba é possível que você nem se lembre de sua existência, tamanha a forma como é mal executada.
Dono de um BAFTA de melhor ator por seu papel em ‘Boy A’, filme desconhecido no Brasil, Andrew Garfield mostra que é bom no que faz, dando um ar punk-rock ao seu personagem, uma característica mais presente na obra original dos quadrinhos. Além disso, nota-se a autenticidade presente em seu romance com Emma Stone (iniciado durante as filmagens), que faz o papel de Gwen Stacy, a primeira namorada do Homem-Aranha e que aqui se torna essencial para que a química do casal funcione. E mesmo que possa parecer muito mais próximo do vislumbre conhecido pelos mais fanáticos, o ator consegue passar a imagem de adolescente rebelde, fator que agora fica mais evidente nesta versão. Já Rhys Ifans tem os dois lados do Dr. Connors, ao mesmo tempo que é um cara bom, também assusta com a personalidade presente em sua interpretação mais sombria. Pontos positivos que faltam a dupla Sally Field e Martin Sheen, que interpretam os tios do aranha, substituindo os competentes Cliff Robertson e Rosemary Harris, protagonistas da versão original de Raimi. Apesar de serem atores veteranos, é inevitável sentir falta daqueles cabelos brancos de Harris que a caracterizavam tão bem, além da doçura de Robertson, algo tão natural que jamais precisaria de um sucessor. Já Emma Stone, obviamente a nova queridinha da América, não faz feio. Ela é charmosa como Gwen Stacy, e certamente agradou Stan Lee, criador dos personagens nos quadrinhos, que descrevia seu romance com Peter como algo bastante natural. Aqui, sua simples existência pode ser considerada uma espécie de porto seguro na tumultuada vida do herói, antes tão solitário e atormentado.
Mas o que atrapalha na releitura pesada sobre os familiares de Parker é justamente o desenlace que acaba deixando vários pontos da trama de forma subdesenvolvida, tornando sua conclusão simples demais e insatisfatória. Também há uma cena após os créditos que chega a ser constrangedora, pois não mostra nada de relevante e que realmente cause grande impacto.
Em ‘O Espetacular Homem-Aranha’, o que não falta é vontade de se reiventar. O problema é que nessa tentativa, o longa acaba se transformando numa produção desnecessária e de menos teor emocional e dramático do que a original. Ainda assim, há de se reconhecer que o filme tem apelo forte entre os jovens por trazer um casal de protagonistas que possuem forte química e são extremamente carismáticos. Se não fosse por conta disso, pouco importaria a nova forma como a história de Peter Parker seria contada, mas para os estúdios, o que vale é continuar produzindo novo conteúdo na tentativa de alavancar bilheterias e continuar enchendo seus cofres. Por seu desempenho de estreia nos cinemas americanos, já é comprovada que a estratégia funcionou. E que venham os próximos filmes, certamente teremos que assistí-los e quem sabe com algumas mudanças eles se tornem realmente espetaculares como sugere seu título.
Gostou? Então curta nossa fanpage!
Veja também:
- » Mary Jane não irá aparecer em novo filme do Homem-Aranha
- » Leonardo DiCaprio é um corretor de ações em ‘O Lobo de Wall Street’; assista ao trailer
- » Crítica | Segredos de Sangue
- » Wagner Moura e Alice Braga aparecem no novo trailer de ‘Elysium’
- » ‘Wolverine: Imortal’ ganha novo trailer oficial, assista
- » Assista ao primeiro teaser trailer da cinebiografia ‘Diana’, com Naomi Watts
- » Assista ao trailer completo do remake ‘Carrie’




