Crítica | Plano de Fuga

‘Plano de Fuga’ é um filme politicamente incorreto que exibe um cenário formado por mexicanos de boca suja e completamente corruptíveis. Neste meio, somos apresentados a uma prisão superpovoada que abriga policiais corruptos e bandidos que contribuem para manter a fama violenta que o local a tanto possui.
Ao som de ’50,000 Miles Beneath My Brain’, do Ten Years After, o longa começa com uma perseguição de carro entre dois homens vestidos de palhaços que estão tentando cruzar a fronteira para o México e policiais norte-americanos que estão atrás deles. Aqui, somos apresentados ao personagem sem nome vivido por Mel Gibson, que após roubar dinheiro de uma espécie de rei da máfia, acaba sendo preso por locais que o despejam num presídio chamado El Pueblito, tomado por um líder do tráfico chamado Javi (Daniel Gimenez Cacho). Lá, tem que aprender rapidamente os costumes do local, para que consiga sobreviver ao tumulto.
A prisão funciona como uma pequena cidade onde é possível fazer comprar em lojas, alugar seu próprio quarto e até mesmo constituir uma família. Logo que chega ao recinto, o ‘gringo’ conhece um garoto de nove anos, interpretado pelo menino Kevin Hernandez, e acaba fazendo amizade com ele. A princípio, a mãe do garoto, Dolores Heredia, desgosta do forasteiro e tenta mantê-lo afastado, mas depois de ver como ele cuida de seu filho, ela percebe que ele é uma boa pessoa. Com o decorrer do tempo, o gringo acaba notando que todo mundo trata bem o garoto na prisão e tenta descobrir qual é o motivo. Sendo assim, Gibson não só tem de aprender a sobreviver nesta conturbada prisão, como precisa recuperar o dinheiro que ele roubou, e ajudar o garoto a se livrar do domínio da bandidagem.

Afastado dos filmes de ação por um longo período, Gibson retorna às telonas em ótima forma e mostra o porque de ter voltado para ficar. É que após ter atuado recentemente no filme de Jodie Foster, o ator estava devendo ao seu público uma de suas eletrizantes aventuras inéditas onde prova que ainda pode se arriscar a correr pelas ruas e fugir da polícia sem parecer ridículo ou perder o estilo próprio, mesmo sendo agora um ‘cinquentão’.
Já a direção do estreiante Adrian Grunberg, é marcada por um filme divertido, repleto de ação e apresentando uma postura inteligente e elegante diante da complexidade que é exibir um filme independente nas telas do cinema. ’Plano de Fuga’, foi lançado diretamente em video on demand nos Estados Unidos, uma injustiça que se explica devido as polêmicas que envolvem o seu protagonista.
‘Get the Gringo’, é uma produção que não tenta ser ambiciosa e se mantém firme em seu curto período de duração, cerca de 1 hora e meia, apresentando um ritmo constante e estável. No mais, é extremamente satisfatório e provavelmente não vai decepcionar aos que optaram em ir aos cinemas para conferir uma produção marcante onde um anti-herói não quer ser levado a sério, e sim entreter seu público.
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