Violência nos games

Counter Strike

Violência é entretenimento desde a Roma antiga, onde os cidadãos iam para o Coliseu ver lutas entre gladiadores e pessoas sendo devoradas por leões. As peças de teatro gregas eram tragédias e são ainda consideradas patrimônio da humanidade. O cinema possui filmes de vários gêneros, uns com violência excessiva e outros mais moderados assim como o videogame. Os games não são encarados da mesma forma, pois fazem parte da mídia interativa.

Talvez essa interatividade seja o motivo pelo qual cause tanto medo nas mentes mais retrógradas. Pelo fato de a pessoa tomar o papel de agente ativo, diferente do cinema onde o espectador participa passivamente, alguns acreditam que o jogador realmente pode tornar-se um assassino serial ou algo pior pelo simples fato de ter feito algo politicamente incorreto nos games.

Os jogos eletrônicos assemelham-se muito aos filmes. Neles podemos viajar em uma história (que possa usar violência ou não) e aprender coisas novas. São as pessoas com pensamentos e dogmas arcaicos que não entendem em pleno século XXI que o videogame é uma forma de expressão e não uma arma de destruição em massa.

Não se pode dar total responsabilidade por um ato violento ao jogo eletrônico, isto é uma questão muito complexa e tem a ver com todo o ambiente em volta de uma pessoa, desde sua casa, bairro, escola, e todo o resto que o cerca. Afirmar que o causador e/ou influenciador seja o game simplesmente, é leviandade se omitir como responsável pela criação desse individuo.

Alguns estudos já tentaram mostrar essa relação de violência e games, mas sempre sem um resultado exato. Assim como ocorreu na década de 40 com as HQs (Histórias em Quadrinhos). Naquela época afirmavam que as histórias de terror, as mais vendidas, exerciam influência negativa sobre jovens delinquentes, e com essas afirmativas levaram vários títulos a falência, pois a sociedade politicamente correta não podia ter seus filhos lendo histórias que denegriam a instituição familiar tão tradicional como é. Revistas foram queimadas em praças públicas, como se estivéssemos na Idade Média.

NOVA YORK (Reuters) – Entre os jovens universitários, a frequência e tipo de videogames jogados parece apresentar paralelos com o risco de abuso de drogas e álcool, relacionamentos pessoais piores e um baixo nível de autoestima, afirmam pesquisadores.

“Isso não significa que todas as pessoas que jogam videogames tenham baixa autoestima ou que jogar videogames resultará no uso de drogas”, disse Laura Padilla-Walker à Reuters Health.

Este é um dos últimos estudos em relação à violência causada por games.

Isso não significa que todos nós jogadores somos pessoas antissociais (reforma ortográfica), promíscuas e bêbadas. Essas pesquisas são importantes, mas precisam amadurecer porque seus resultados não são tão precisos. Pelo menos eu nunca vi ninguém parar de jogar GTA porque precisava matar alguém na rua, assaltar umas velhinhas e bater em prostitutas. A questão do comportamento como dito a pouco vai muito além dos meios de comunicação.

JOGOS VIOLENTOS

Nightmare Creatures 2 (PSone-Konami):

É um jogo antigo, mas era bem violento. Embora batesse em monstros como lobisomens, só o fato de se usar machados para cortar os membros dos bichos já era algo horrível. As cenas de fatalities eram grotescas e a violência tinha explicação, embora não fosse um jogo muito bom. O protagonista tinha problemas mentais.

Mortal Kombat a série (Midway):

Em falar em fatalities… Mortal Kombat é um game de luta que chamou atenção por suas cenas de execuções assustadoramente sanguinolentas com decapitações e esquartejamentos. Nos consoles da Nintendo foram proibidos o sangue. Isso, não se podia ver sangue na tela. Entretanto, a Sega e a Sony não se importavam com isso.

GTA a série (Rockstar):

A série politicamente incorreta de maior sucesso da história dá ao jogador a possibilidade de atropelamentos, espancamentos, roubos, pegar prostitutas entre outros desvios de caráter dessa sociedade tão certinha. Está certo que tudo isso é facultativo no game, faz se quiser e assim como na vida real há penalidades, mas nem todos os especialistas jogam até serem pegos. Só pode ser isso.

Silent Hill a série (Konami):

Silent Hill assim como Resident Evil possui cenas aterrorizantes e grotescas. Porém, a violência faz parte da narrativa, assim como nos filmes de terror. Sem esse artifício não teria como esses games fazerem tanto sucesso quanto fazem hoje. Eles não usam violência gratuitamente, pelo contrário, ela é bem empregada e não exagerada. Ela é a forma pela qual os jogos nasceram e crescem ainda. Embora mais maduros, eles ainda têm que encontrar um limite entre bom gosto e uso da violência.

Manhunt (Rockstar):

Candidato a jogo mais violento da história dos games. Manhunt foi proibido em vários países devido ao seu conteúdo impróprio para pessoas abaixo dos 210 anos. O jogo trata de um reality show, onde apenas um ganha, aquele que sobreviver.

* Texto escrito em colaboração com João Paulo Cruz

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